quarta-feira, 16 de maio de 2007

Soletrava

Dias atrás, voltava para casa e, no ônibus, logo à minha frente, um jovem casal se acomodou. O pai pôs o filho, que devia ter seus 7 ou 8 anos, no colo. Percebia-se claramente que era uma família que se respeitava e dava atenção à criação do filho.
Pois eis que o danado do menino foi respondendo todos os desafios que o pai, aparentemente sem tanto estudo, lhe fazia. Soletrou o nome dos primos, tios e demais parentes. Soletrou palavras que estava aprendendo num livro sobre animais: suricate, cacatua, rinoceronte e outros mais. O pai e mãe retribuiam seus acertos com carinho, afagos e incentivos. Em nenhum momento ouvi menção de uma recompensa maior como um chocolate, brinquedo ou um carro novo quando passar no vestibular.

Fiquei feliz. Aquela cena me fez pensar que, se o mundo anda frio e sem valores morais, existem exemplos a serem seguidos. De certo aqueles pais não davam atenção e incentivo ao filho somente quando ele falava ou fazia algo bacana. Era um amor genuíno e uma educação bem aplicada, onde apenas mostravam ao filho que seu esforço e caráter os orgulhava.
O ônibus segui o seu caminho. O menino? Soletrava!

2 comentários:

Tadeu Lima disse...

meu pai nunca me prometeu um carro se eu passasse no vestibular...

acho que é por isso que não consegui terminar a faculdade... devo, no meu subconsciente, aguardar uma promessa de automóvel zero ao término do curso... eu acho...

tadeu lima

TRÊS CONTRA O TEMPO disse...

Ted,

Com carro ou não, torço para que seu incentivo não seja material, mas em primeiro lugar, um esforço pessoal pela realização do seu sonho. Boa sorte.
Em tempo - também não me ofereceram recompensas... Falo dos "sortudos" que não valorizam as regalias (materiais) que tem...

Abraços

Sid San